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Algodão: preço interno sobe em agosto, mas segue abaixo da exportação

Cotação da pluma avança em agosto com apoio da alta externa, mas preço doméstico ainda opera com desconto frente à paridade de exportação.

02 de setembro de 2026 4 min de leitura
Algodão: preço interno sobe em agosto, mas segue abaixo da exportação

O preço do algodão em pluma no mercado interno avançou em agosto, impulsionado pela postura firme dos vendedores e pela valorização das cotações internacionais, segundo o Cepea. Mesmo assim, depois de sete meses acima da paridade, a média doméstica ficou cerca de 1,5% abaixo do preço equivalente à exportação, abrindo novamente um desconto para o mercado externo.

O que aconteceu

Levantamento do Cepea mostra que as cotações da pluma no Brasil subiram ao longo de agosto, acompanhando a alta dos contratos futuros em Nova York e a valorização do dólar. A combinação de demanda ativa e oferta limitada em algumas regiões reforçou a resistência dos vendedores em conceder descontos nos negócios internos.

Apesar desse movimento de alta, o indicador Cepea/Esalq para o algodão em pluma encerrou o mês, em média, 1,5% abaixo da paridade de exportação, algo que não ocorria desde dezembro do ano anterior. Esse dado indica que, na comparação teórica entre vender no mercado interno ou exportar, a exportação voltou a ser ligeiramente mais atrativa.

Por que importa para o agro

Para o produtor, o cenário de preço em alta, mas abaixo da exportação, muda a lógica de comercialização. Com a exportação voltando a pagar mais que o mercado doméstico, a tendência é de maior foco dos vendedores em contratos externos, principalmente em regiões com logística consolidada e acesso a tradings.

Na indústria têxtil brasileira, o desconto do preço interno frente à paridade externa reduz parte da pressão de custo da matéria-prima, mas mantém o algodão em patamar elevado. Fiações e tecelagens seguem sob cuidado na gestão de estoques, avaliando se vale antecipar compras ou aproveitar eventuais janelas de recuo nas cotações.

Dados e contexto

Nos últimos meses, o Cepea vinha registrando preços internos acima da paridade de exportação por sete meses consecutivos, favorecendo as vendas domésticas. Em agosto, o movimento se inverteu e o preço interno passou a operar com leve desconto.

A dinâmica está ligada a três fatores principais:

  • Valorizações externas: alta dos contratos na Bolsa de Nova York (ICE) ao longo de agosto.
  • Câmbio: dólar mais firme, elevando o valor em reais da paridade de exportação.
  • Postura firme dos vendedores: retenção de oferta no spot e foco em contratos já firmados.
Em análises recentes, Cepea, Conab e USDA têm apontado um quadro de oferta global ajustada, com estoques em queda em alguns grandes países produtores e consumo estável a ligeiramente crescente na indústria têxtil mundial. Esse ambiente sustenta os preços internacionais e, consequentemente, a paridade de exportação calculada para o algodão brasileiro.

Ao mesmo tempo, dados de safras anteriores da Conab mostram que a produção nacional segue em patamar elevado, com destaque para Mato Grosso e Bahia, mantendo o Brasil entre os maiores exportadores mundiais. Isso reforça o peso da exportação na formação de preços internos, especialmente na pluma de melhor padrão.

O que observar daqui pra frente

Produtores e indústria devem acompanhar de perto três variáveis: evolução das cotações em Nova York, comportamento do câmbio e ritmo de embarques brasileiros. Se a paridade de exportação continuar acima do preço interno, a exportação tende a seguir como destino prioritário, o que pode apertar a oferta doméstica e sustentar as cotações na próxima entressafra. Por outro lado, qualquer correção nas bolsas ou queda do dólar pode reduzir essa diferença e reequilibrar a atratividade entre mercado interno e externo.

Fontes

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