Brasil evita retaliação e mantém diálogo com EUA sobre tarifas
Gabriel Galípolo Durigan afirma que Brasil evitou retaliação contra tarifas dos EUA para preservar espaço de negociação e previsibilidade ao agronegócio.

O secretário de Comércio Exterior, Tatiana Prazeres Durigan, afirmou que o Brasil optou por não retaliar de forma imediata as novas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A estratégia é manter o canal de diálogo aberto com Washington, reduzir incertezas e proteger o ambiente de negócios para exportadores, especialmente do agronegócio.
O que aconteceu
Durigan explicou que o governo acompanhou o movimento dos EUA de elevar tarifas sobre uma lista de bens estrangeiros, dentro de uma agenda mais protecionista. Houve avaliação interna sobre possíveis respostas, incluindo medidas de retaliação, mas prevaleceu a linha de evitar escalada de conflitos comerciais.
Segundo ela, o Brasil optou por acionar mecanismos de diálogo e, se necessário, recorrer a instrumentos multilaterais, como a Organização Mundial do Comércio (OMC). A ideia é mostrar disposição para negociar, sem fechar a porta para futuras ações caso o impacto sobre o país se agrave.
A secretária destacou que o Brasil busca previsibilidade para os exportadores, num momento em que grandes economias voltam a erguer barreiras tarifárias e não tarifárias. O governo quer evitar que decisões precipitadas comprometam acordos já em andamento ou ampliem a volatilidade cambial e de preços.
Por que importa para o agro
O agronegócio brasileiro depende fortemente de mercados externos. Conforme a Embrapa e o MAPA, mais de 25% do PIB do agro vem das exportações, com destaque para soja, carnes, milho, açúcar e café. Qualquer aumento de tensão com os EUA, um dos principais clientes e formadores de preço global, tende a se refletir nos prêmios, no câmbio e na renda do produtor.
Ao evitar retaliação imediata, o governo reduz o risco de reação em cadeia que poderia atingir produtos agrícolas, mesmo que o alvo inicial sejam outros setores. O setor rural ganha tempo para planejar comercialização, travar câmbio e rever contratos, sem a ameaça súbita de novos embargos ou sobretaxas sobre itens brasileiros.
Dados e contexto
Nos últimos anos, o comércio agrícola Brasil–EUA tem sido relevante, embora menor que com a China. Segundo o USDA e o MAPA:
| Indicador (2023) | Valor aproximado |
|---|---|
| Exportações totais do agro brasileiro | **US$ 166 bilhões** (MAPA) |
| Participação dos EUA nas exportações do agro do Brasil | **cerca de 7%** |
| Participação da China | **cerca de 33%** |
Os EUA vêm usando tarifas e medidas de defesa comercial para proteger setores industriais e, em alguns casos, alimentos processados. Paralelamente, cresce o uso de barreiras sanitárias, ambientais e de rastreabilidade, que afetam diretamente produtos do campo.
A Conab aponta que soja, milho e carnes brasileiras seguem altamente competitivos no mercado mundial, mas dependem de frete, câmbio e acesso sem barreiras extras. Em um cenário de juros altos e margens apertadas em várias cadeias, surpresas tarifárias poderiam comprimir ainda mais a rentabilidade.
Historicamente, disputas tarifárias entre grandes economias geram redirecionamento de fluxos comerciais. No curto prazo, isso pode abrir janelas de oportunidade para o Brasil em alguns mercados, mas também agrava a imprevisibilidade, exigindo maior profissionalização na gestão de risco comercial.
O que observar daqui pra frente
Produtores e empresas devem acompanhar de perto as negociações entre Brasil e EUA e possíveis consultas na OMC. Riscos principais: ampliação de tarifas, inclusão de produtos agrícolas em listas de medidas e novas exigências ambientais e sanitárias. Entre as oportunidades, podem surgir nichos em países que busquem fornecedores alternativos diante de conflitos comerciais. Gestão de risco, diversificação de destinos e contratos bem estruturados serão decisivos para proteger margens em um cenário global mais protecionista.
Fontes
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