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Brasil tenta barrar novo tarifação dos EUA e mobiliza indústria e agro

Governo Lula vai a Washington para tentar reverter o novo pacote de tarifas de Trump, que ameaça exportações brasileiras e preocupa o agronegócio.

06 de julho de 2026 4 min de leitura
Brasil tenta barrar novo tarifação dos EUA e mobiliza indústria e agro

O governo brasileiro organiza uma ofensiva diplomática em Washington para tentar barrar o novo pacote de tarifas anunciado por Donald Trump contra produtos do Brasil. A medida, baseada em investigação comercial dos EUA, ameaça elevar custos de exportação e afetar diretamente indústria e agronegócio, dois pilares da relação econômica entre os países.

O que aconteceu

O governo Trump concluiu uma investigação comercial contra o Brasil e passou a ameaçar tarifas de até 25% sobre uma ampla cesta de bens brasileiros, sob a justificativa de práticas consideradas "irracionais" e restritivas ao comércio americano.[2] A medida se apoia na Seção 301 da lei de comércio dos EUA, que permite ações unilaterais como sobretaxas e restrições de importação.[2]

Entre os pontos criticados estão regras do sistema de pagamentos eletrônicos, políticas de etanol, questões de propriedade intelectual e preocupações ambientais, como combate ao desmatamento ilegal.[2] As propostas de tarifa ainda serão debatidas em audiência pública em Washington, com prazo para comentários até o início de julho, etapa crucial para a tentativa de reversão.[2]

A nova rodada de tarifas se soma ao quadro de pressão criado pela cobrança de até 50% sobre muitos produtos brasileiros aprovada anteriormente por Trump, que já vinha sendo contestada por empresas americanas e por setores do agro nos dois países.[1][3][6]

Por que importa para o agro

Os EUA são um dos principais mercados para carnes, café, etanol e outros produtos do agronegócio brasileiro. Sobretaxas de 25% a 50% reduzem imediatamente a competitividade do Brasil, abrem espaço para concorrentes e podem cortar volumes exportados em pouco tempo.[3][4][6]

Na rodada anterior de tarifas, analistas apontaram perdas de até US$ 4 bilhões nas exportações de carnes e queda de 55% nas vendas de café ao mercado americano em poucos meses, números que ajudam a dimensionar o risco de um novo tarifação.[4] Para o produtor, o impacto vem por preços menores na exportação, maior dependência de outros destinos e possível queda na renda, especialmente em cadeias mais concentradas nos EUA.

Dados e contexto

A relação comercial Brasil–EUA é relevante para o agro e para a indústria:

  • Tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros foram aprovadas pelo governo Trump em pacote anterior, com início de vigência previsto para 1º de agosto daquele ano.[1][3]
  • Nova proposta da USTR (representação comercial dos EUA) fala em sobretaxa de 25% sobre ampla gama de produtos, substituindo parcialmente o tarifação de 50%.[2][6]
  • Setores de carnes estimaram perda de US$ 4 bilhões em vendas com tarifas anteriores, enquanto o café teve queda de 55% nas exportações para os EUA em poucos meses.[4]
  • Empresas americanas que importam do Brasil declararam apoio à tentativa brasileira de reverter o tarifação, alegando risco de alta de preços e pressão inflacionária nos EUA.[1][3]
A discussão nos EUA ocorre em meio a disputas internas sobre inflação e política monetária. Analistas destacam que tarifas elevadas tendem a encarecer alimentos e outros bens, o que aumenta a resistência de parte do empresariado e dos consumidores americanos à medida.[3]

O que observar daqui pra frente

Produtores e exportadores brasileiros devem acompanhar de perto três frentes: o desfecho da audiência pública nos EUA, o resultado das negociações diplomáticas conduzidas pelo governo Lula e possíveis ações em organismos internacionais de comércio. Ao mesmo tempo, cresce a pressão para diversificar mercados e reduzir a dependência do cliente americano, enquanto o risco de tarifação elevada reforça a necessidade de ganhos de eficiência e de comprovação de boas práticas ambientais e trabalhistas.

Fontes

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