China amplia produção de carne bovina com clima mais úmido e tarifas altas
Mudanças climáticas e sobretaxas de importação estão impulsionando a criação de gado na China e redesenhando o mercado global de carne bovina.
Mudanças climáticas estão transformando áreas antes áridas do norte da China em regiões mais úmidas e aptas à pecuária, enquanto Pequim usa cotas e tarifas de até 55% sobre carne importada para acelerar a criação de gado dentro do país.[1][4][11] O movimento aumenta a autossuficiência chinesa em proteína animal e pressiona exportadores como o Brasil, que dependem fortemente desse mercado.[3][8][14]
O que aconteceu
Grandes extensões do norte da China ficaram significativamente mais úmidas desde os anos 1990, segundo o Centro Nacional do Clima chinês, abrindo espaço para pastagens e produção de grãos usados na alimentação animal.[1][4] Regiões como Tongliao, antes próximas de condições de deserto, viraram áreas de pasto e lavouras de milho e sorgo, integradas a novos projetos de criação de gado.[1][5]
A China aproveitou esse novo ambiente para expandir rapidamente seu rebanho de corte: desde 2018, o número de cabeças cresceu cerca de um terço, chegando a quase 90 milhões de bovinos, com cerca de 4 milhões concentrados em Tongliao.[1][5] Com isso, o país já tem a terceira maior indústria de carne bovina do mundo, atrás apenas de Brasil e Estados Unidos.[1][4]
Paralelamente, Pequim passou a limitar importações com cotas anuais por país e sobretaxa de 55% quando o volume excede o teto definido, mantendo tarifa de 12% dentro da cota.[1][3][11] Em 2026, a cota total de importação foi fixada em 2,7 milhões de toneladas, abaixo das cerca de 3 milhões previstas para 2025.[11][12]
Por que importa para o agro
Para o Brasil, maior fornecedor de carne bovina à China, o novo modelo significa mercado mais restrito e volátil. A cota brasileira em 2026 é de cerca de 1,1 milhão de toneladas; dentro desse volume a tarifa é 12%, mas o excedente passa a pagar 55%, encarecendo a carne brasileira e derrubando a competitividade.[3][8][11][14] Isso já levou frigoríficos a reduzir abates e até conceder férias coletivas quando a cota se aproxima do limite.[8][9]
A estratégia chinesa tende a reduzir a dependência de importações e fortalecer a pecuária local, o que pode limitar o crescimento das exportações brasileiras de carne bovina nos próximos anos.[11][12][13] Se o rebanho chinês continuar crescendo, o peso da China como comprador pode se estabilizar ou até diminuir, forçando o Brasil a diversificar destinos e ajustar a oferta interna.
Dados e contexto
| Indicador | Valor / Situação |
|---|---|
| Rebanho de corte da China | Quase **90 milhões** de cabeças, alta de **1/3** desde 2018[1][5] |
| Rebanho em Tongliao | Cerca de **4 milhões** de bovinos[1][5] |
| Posição da China no ranking | **3ª maior** indústria de carne bovina, atrás de Brasil e EUA[1][4] |
| Tarifa padrão de importação | **12%** para volumes dentro da cota[11][14] |
| Sobretaxa acima da cota | **55%** adicionais sobre o excedente[1][3][11][14] |
| Cota total de importação (2026) | **2,7 milhões t** para todos os países[11][12] |
| Cota brasileira estimada (2026) | Cerca de **1,1 milhão t**[3][8][11][14] |
Segundo análise setorial, a investigação chinesa concluiu que o alto volume de importações prejudicava o desenvolvimento da própria cadeia interna de carne bovina, justificando a adoção das cotas e da sobretaxa.[12] Órgãos e entidades brasileiras de pecuária estimam queda próxima de 10% nas exportações de carne bovina em 2026 em comparação a 2025, devido ao novo regime de tarifas e limites.[14]
O que observar daqui pra frente
Produtores e indústrias precisam acompanhar dois movimentos centrais: o avanço da pecuária chinesa em áreas favorecidas pelo novo regime climático e eventuais ajustes nas cotas e tarifas de importação.[1][4][11][12] Se o rebanho chinês continuar expandindo e as barreiras tarifárias forem mantidas, o Brasil terá de buscar novos mercados, investir em diferenciação de produto e manejar o ciclo de oferta para evitar excesso de carne no mercado interno e pressão sobre preços ao produtor.[6][8][9][14]
Fontes
- Folha de S.Paulo – Como a China está criando mais gado no país
- G1 – China limita importação de carne bovina por meio de cotas
- G1 – Brasil deve atingir cota de exportação de carne para a China
- G1 – Brasil atinge metade da cota de carne bovina para a China
- BTG Pactual – Marfrig (relatório setorial)
- The New York Times – How Climate Change and Tariffs Help China Raise More Cattle
- www1.folha.uol.com.br
- nytimes.com
- agranjadigital.com.br
- youtube.com
- oglobo.globo.com
- veja.abril.com.br
- exame.com
- www1.folha.uol.com.br
- oantagonista.com.br
- www1.folha.uol.com.br
- passeidireto.com
- passeidireto.com
- passeidireto.com
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