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EUA discutem tarifa de 25% sobre produtos brasileiros: o que está em jogo

Audiência em Washington vai avaliar tarifa extra de 25% contra exportações do Brasil, com potencial impacto direto em setores do agro e na competitividade do país.

06 de julho de 2026 4 min de leitura
EUA discutem tarifa de 25% sobre produtos brasileiros: o que está em jogo

A escalada comercial entre Brasil e Estados Unidos entrou em fase decisiva com a proposta de tarifa extra de 25% sobre mercadorias brasileiras, após conclusão de investigação do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR).[1][2] A medida ainda não está valendo, mas será debatida em audiência pública em Washington e pode atingir exportações relevantes do agronegócio, com efeito direto em preços, margens e competitividade.

O que aconteceu

O USTR concluiu uma investigação com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, classificando políticas brasileiras como “irrazoáveis” e capazes de “onerar ou restringir” o comércio norte-americano.[1][2][4] A partir desse relatório, o órgão propôs um tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros, com exceções detalhadas em um documento técnico de 73 páginas.[1][2]

A proposta não é automática: segue um calendário de consultas públicas e audiência antes de qualquer decisão definitiva.[2][4] Exportadores, indústrias e governos podem se manifestar por escrito e presencialmente, contestando a medida ou pedindo ajustes na lista de produtos afetados.

Por que importa para o agro

Embora o documento preveja isenções para parte de carnes, frutas, café, chá, cereais, sementes, frutos oleaginosos e fertilizantes, outros itens do agro podem entrar na lista de 25%, especialmente produtos industrializados e de maior valor agregado.[1][2][4] Isso pode elevar o custo final ao comprador americano, reduzir a competitividade do Brasil frente a concorrentes como México, Canadá e países da América do Sul.

Para o produtor, o risco é de pressão baixista sobre preços internos caso exportadores percam margem e redirecionem volumes ao mercado doméstico ou a outros destinos. No lado da indústria, aumento de tarifa em insumos ou derivados agrícolas pode encurtar margens, reduzir investimento e afetar cadeias como proteínas animais, agroindústria de frutas e biocombustíveis.

Dados e contexto

A investigação americana aponta questões em áreas sensíveis:

  • Comércio digital e regulação de meios de pagamento, com críticas ao ambiente regulatório brasileiro.[1][3]
  • Mercado de etanol, alegando práticas que prejudicariam o acesso do produto americano ao Brasil desde 2017.[3]
  • Propriedade intelectual e combate à corrupção, vistos como insuficientes pelo relatório.[1][3]
  • Desmatamento ilegal e proteção de florestas, usados como argumento adicional para a tarifa.[3]
O calendário definido pelo USTR é claro:[2][4]
EtapaPrazo
Solicitações para participar da audiênciaaté **22 de junho de 2026**
Envio de comentários por escritoaté **1º de julho de 2026**
Audiência pública sobre a tarifa**6 de julho de 2026**
Decisão final sobre medidas corretivasaté **15 de julho de 2026**

Segundo o relatório, alguns produtos do agro ficariam fora da tarifa adicional, como certas carnes, frutas, café, chá, especiarias, cereais, sementes, terras raras e fertilizantes, além de aeronaves e peças aeronáuticas.[1][2][4] Mas a definição exata de quais NCMs serão taxados dependerá da versão final da lista.

O que observar daqui pra frente

Exportadores brasileiros precisam acompanhar de perto as consultas públicas nos EUA, o teor dos comentários enviados por associações setoriais e a posição oficial do governo brasileiro. Se a tarifa de 25% avançar, será crucial revisar contratos, redirecionar mercados e avaliar alternativas logísticas e comerciais. Ao mesmo tempo, o processo pode abrir espaço para negociação de exceções adicionais e acordos bilaterais que reduzam o impacto sobre cadeias estratégicas do agronegócio.

Fontes

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