Maior oferta na 3ª safra derruba preço do feijão carioca
Colheita irrigada da 3ª safra aumenta a oferta de feijão carioca de melhor qualidade e pressiona as cotações para baixo no mercado interno.

A colheita da 3ª safra irrigada de feijão carioca está avançando e elevando rapidamente a oferta de grãos de melhor qualidade no mercado, o que vem pressionando as cotações para baixo.[1][2] O movimento ocorre em um cenário de consumo interno estável e exportações ainda insuficientes para absorver o excedente, afetando diretamente a receita dos produtores.[2] Ao mesmo tempo, lotes de qualidade intermediária seguem com preços mais firmes, sustentados por estoques menores.[1]
O que aconteceu
Dados do Indicador de Preços do Cepea, em parceria com a CNA, mostram que o aumento da oferta na 3ª safra levou à acomodação dos preços do feijão carioca de melhor qualidade, enquanto o segmento intermediário manteve valores mais estáveis.[1][2] Compradores passaram a atuar de forma mais cautelosa, aproveitando a maior disponibilidade de lotes nobres para negociar valores menores.[1]
No mercado físico, relatórios indicam que sacas de feijão carioca tipo 1 vêm sendo negociadas em patamares próximos a R$ 270 a R$ 300 por saca de 60 kg, com ajuste recente a partir de níveis mais altos observados semanas antes.[3][9][10] A combinação entre maior volume colhido e demanda doméstica sem reação ampliou a pressão baixista, especialmente sobre o feijão claro e de escurecimento lento, que concentra a maior parte da 3ª safra.[2]
Além disso, agentes destacam que o pico de colheita desta safra irrigada concentra a oferta em poucos meses, intensificando a queda nas cotações mesmo em um contexto em que a produção total anual de feijão deve ser semelhante ou ligeiramente menor que a do ciclo anterior, segundo estimativas da Conab.[3][4]
Por que importa para o agro
Para o produtor, a queda de preços na 3ª safra reduz a margem em uma fase em que os custos de irrigação, insumos e logística são elevados. Quem entra no mercado logo no início da colheita enfrenta maior pressão dos compradores, que têm opções de qualidade abundantes e conseguem selecionar lotes com maior padrão a preços menores.[1][3] Produtores com estrutura de armazenagem e fôlego financeiro ganham vantagem, pois podem segurar o produto e buscar melhor remuneração após o pico de oferta.[3][9]
Do lado da cadeia, empacadores e varejo se beneficiam de um período de matéria-prima mais barata para recompor estoques e ajustar mix de produtos.[1][2] Porém, a queda concentrada em poucos meses tende a ser seguida por nova firmeza nos preços, especialmente se a oferta total confirmar leve retração em relação à safra anterior, como projetado pela Conab.[4][9] Esse sobe e desce aumenta a volatilidade no atacado e exige planejamento mais fino de compras.
Dados e contexto
Estudos recentes de Cepea/CNA e projeções de Conab e mercado indicam o seguinte quadro:
| Indicador | Situação recente |
|---|---|
| Oferta 3ª safra de carioca | Maior volume irrigado, concentrado em poucos meses, com forte presença de grão claro e nobre.[1][2][3] |
| Preço carioca tipo 1 | Em torno de **R$ 270 a R$ 300/saca** após ajuste frente às semanas anteriores.[3][9][10] |
| Produção total de feijão (todas as safras) | Próxima a **3 milhões t**, com ligeira retração frente ao ciclo passado, segundo Conab.[4] |
| 3ª safra 2024/25 (todos os tipos) | Estimada em cerca de **604 mil t**, queda de **18,1%** ante o ciclo anterior por menor área.[4] |
De acordo com análises da CNA, a demanda interna está estável, e as exportações, mesmo aquecidas, ainda não absorvem todo o excedente gerado pela 3ª safra.[2] Isso deixa o mercado mais sensível a movimentos de oferta, aumentando o risco de quedas rápidas nas cotações sempre que há concentração de colheita.
Historicamente, Cepea registra fases de preços firmes para o feijão carioca de melhor qualidade quando a oferta é limitada, com sacas negociadas acima dos níveis atuais.[6][7][8] O quadro atual é pontual e está diretamente ligado à dinâmica da 3ª safra irrigada.
O que observar daqui pra frente
Nos próximos meses, o ponto-chave será acompanhar a velocidade de escoamento da 3ª safra e possíveis ajustes na área de plantio das próximas safras, diante da pressão recente sobre a renda do produtor.[3][4][9] Se a produção total confirmar retração e o consumo se mantiver estável, o mercado tende a recuperar parte dos preços após o pico de oferta, abrindo oportunidade para quem conseguir segurar o produto. Por outro lado, qualquer frustração adicional de demanda, seja por renda menor do consumidor ou retração de exportações, pode prolongar o período de cotações mais baixas.
Fontes
- Canal Rural – Maior oferta da 3ª safra derruba preços do feijão carioca
- Agrolink – Oferta maior pressiona preços do feijão carioca
- Rural News – Preço do feijão recua com maior oferta na 3ª safra
- Conab – Acompanhamento de Safra de Grãos
- Notícias Agrícolas – Cotações do feijão
- youtube.com
- noticias.r7.com
- youtube.com
- cnnbrasil.com.br
- noticiasagricolas.com.br
- radardigitalbrasilia.com.br
- youtube.com
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