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Safra recorde derruba preço do feijão e pressiona renda do produtor

Excesso de oferta derruba cotações do feijão nos entrepostos e acende alerta para a renda do produtor em plena colheita.

14 de junho de 2026 4 min de leitura
Safra recorde derruba preço do feijão e pressiona renda do produtor

A combinação de boa safra, queda do consumo e estoques confortáveis derrubou o preço do feijão em importantes praças brasileiras, reduzindo a renda do produtor justamente no pico da colheita. O cenário reforça a importância de planejamento comercial, controle de custos e uso de ferramentas de mercado para atravessar um período de forte pressão nas cotações.

O que aconteceu

Com o avanço da colheita e clima favorável em várias regiões, a oferta de feijão aumentou rapidamente nos entrepostos e atacado. A entrada de produto novo, somada a estoques remanescentes da safra anterior, gerou excesso de oferta e queda das cotações em pouco tempo.

Em alguns mercados, o feijão carioca e o preto recuaram tanto no atacado quanto na compra ao produtor, encurtando a margem de quem plantou com custo elevado de insumos. Em paralelo, o consumo interno segue estável ou levemente enfraquecido, sem fôlego para absorver o volume adicional que chega ao mercado.

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Por que importa para o agro

A queda do preço do feijão afeta diretamente a rentabilidade das propriedades, principalmente pequenos e médios produtores que dependem da cultura para compor a renda anual. Quem entrou na safra com custo alto de sementes, defensivos e arrendamento sente mais o impacto da virada de mercado.

O movimento também interfere na alocação de área para as próximas safras. Preços deprimidos desestimulam novos plantios, o que pode reduzir a oferta futura e aumentar a volatilidade. Para cooperativas, cerealistas e indústrias, o cenário exige atenção à qualidade, à segregação de lotes e à gestão de estoques para evitar desvalorização adicional.

Dados e contexto

Segundo a Conab, o Brasil produz em média 3 a 3,2 milhões de toneladas de feijão por ano, somando todas as safras (1ª, 2ª e 3ª), com forte concentração em Paraná, Minas Gerais, Goiás, Bahia e São Paulo.[1]

Em anos de clima favorável, a produtividade pode se aproximar ou superar 1.200 kg/ha em sistemas tecnificados, elevando a oferta em pouco tempo.[1] A Embrapa lembra que o feijão é cultura sensível a excesso de chuva e estiagem, o que torna comum a oscilação de oferta entre safras.[2]

No consumo, o brasileiro come em média 14 a 15 kg de feijão por habitante/ano, de acordo com séries históricas da Conab e do IBGE, mantendo o grão como alimento básico, mas com tendência de leve redução ao longo dos anos.[1][3] Isso limita a capacidade do mercado interno de absorver safras muito grandes.

IndicadorValor aproximado
Produção anual de feijão (BR)3 a 3,2 milhões t/ano

| Produtividade média | 900 a 1.200 kg/ha | | Consumo per capita | 14 a 15 kg/hab/ano | | Principais estados produtores | PR, MG, GO, BA, SP |

Em geral, períodos de safra cheia pressionam o preço ao produtor, enquanto entressafra e quebras de produção elevam rapidamente as cotações. A ausência de instrumentos de hedge estruturados para o feijão aumenta a exposição a essas oscilações e torna a negociação ainda mais importante.

O que observar daqui pra frente

O produtor precisa acompanhar de perto a evolução da colheita nas principais regiões, o comportamento da demanda interna e eventuais movimentos de redução de área nas próximas safras. Monitorar relatórios de Conab e Embrapa, avaliar possibilidades de escalonar vendas, diversificar culturas e negociar prazos com fornecedores pode fazer a diferença para atravessar um ciclo de preços baixos com menor impacto na margem.

Fontes

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