Super El Niño pode elevar riscos para o agronegócio brasileiro
Estudo projeta 13,3 mil mortes por calor no Brasil e reforça os riscos de secas, chuvas irregulares e perdas agrícolas entre 2026 e 2027.
O Brasil deve ser o quinto país mais afetado por um possível Super El Niño entre setembro de 2026 e fevereiro de 2027. Estudo publicado na revista Climate Impact Lab estima 13,3 mil mortes adicionais relacionadas ao calor no país. Para o agro, o fenômeno também amplia o risco de seca, temperaturas elevadas e chuvas irregulares em regiões produtoras.
O que aconteceu
O estudo estima que um Super El Niño, associado ao aquecimento extremo das águas do Pacífico, possa provocar cerca de 451 mil mortes por calor no mundo. O Brasil aparece entre os dez países com maior número projetado de óbitos, atrás de nações como China, Índia e Indonésia.
A projeção considera o período entre setembro de 2026 e fevereiro de 2027. Apenas entre dezembro e fevereiro, o Brasil poderia registrar aproximadamente 8 mil mortes adicionais relacionadas ao calor. O levantamento trata de efeitos sobre a saúde, mas o mesmo aumento de temperatura pode afetar lavouras, criação animal, disponibilidade de água e logística.
Por que importa para o agro
O El Niño altera a distribuição das chuvas no Brasil. A tendência histórica é de maior umidade e risco de excesso de chuva no Sul, enquanto áreas do Centro-Oeste, Nordeste e Matopiba podem enfrentar atraso no início das precipitações, estiagens e temperaturas acima da média. O impacto varia conforme a intensidade do evento e a localização da propriedade.
Na prática, o produtor pode enfrentar dificuldade para estabelecer a safra, maior pressão sobre a irrigação e redução do potencial produtivo. Soja, milho, feijão, café e pastagens estão entre as atividades expostas. No Sul, o risco pode ser inverso, com excesso de chuva, erosão, doenças e problemas na colheita.
Dados e contexto
- 13,3 mil: mortes adicionais por calor projetadas para o Brasil entre setembro de 2026 e fevereiro de 2027.
- Quinto: posição estimada do Brasil entre os países mais afetados pelo evento.
- 451 mil: mortes adicionais projetadas globalmente no período analisado.
- Até 30%: queda de produtividade apontada em estudos para algumas culturas e regiões brasileiras sob condições adversas de chuva.
O efeito econômico não é uniforme. Estados do Sul podem ter perdas por excesso de precipitação, enquanto partes do Centro-Oeste, Nordeste e Matopiba ficam mais expostas à falta de água. A escolha da janela de semeadura e o manejo do solo serão decisivos para reduzir a vulnerabilidade.
O que observar daqui pra frente
Produtores devem acompanhar previsões oficiais, revisar o calendário de plantio e priorizar cultivares adaptadas, cobertura do solo e conservação de água. Também será necessário monitorar a capacidade de armazenagem, os custos de irrigação e o risco de doenças. A confirmação da intensidade do El Niño poderá alterar preços, produtividade e fluxo de oferta das principais commodities.
Fontes
- Canal Rural — Brasil deve ser o 5º país mais atingido pelo Super El Niño, diz estudo
- CNN Brasil — Super El Niño pode provocar 451 mil mortes pelo mundo
- Embrapa — Nota técnica El Niño 2026/2027
- static.even3.com
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- g1.globo.com
- remunom.ojsbr.com
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- www12.senado.leg.br
- ime.events
- correiodopovo.com.br
- exame.com
- poder360.com.br
- locus.ufv.br
- ndmais.com.br
- gov.br
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