Sustentabilidade

Super El Niño pode elevar riscos para o agronegócio brasileiro

Estudo projeta 13,3 mil mortes por calor no Brasil e reforça os riscos de secas, chuvas irregulares e perdas agrícolas entre 2026 e 2027.

24 de setembro de 2026 3 min de leitura
Super El Niño pode elevar riscos para o agronegócio brasileiro

O Brasil deve ser o quinto país mais afetado por um possível Super El Niño entre setembro de 2026 e fevereiro de 2027. Estudo publicado na revista Climate Impact Lab estima 13,3 mil mortes adicionais relacionadas ao calor no país. Para o agro, o fenômeno também amplia o risco de seca, temperaturas elevadas e chuvas irregulares em regiões produtoras.

O que aconteceu

O estudo estima que um Super El Niño, associado ao aquecimento extremo das águas do Pacífico, possa provocar cerca de 451 mil mortes por calor no mundo. O Brasil aparece entre os dez países com maior número projetado de óbitos, atrás de nações como China, Índia e Indonésia.

A projeção considera o período entre setembro de 2026 e fevereiro de 2027. Apenas entre dezembro e fevereiro, o Brasil poderia registrar aproximadamente 8 mil mortes adicionais relacionadas ao calor. O levantamento trata de efeitos sobre a saúde, mas o mesmo aumento de temperatura pode afetar lavouras, criação animal, disponibilidade de água e logística.

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Por que importa para o agro

O El Niño altera a distribuição das chuvas no Brasil. A tendência histórica é de maior umidade e risco de excesso de chuva no Sul, enquanto áreas do Centro-Oeste, Nordeste e Matopiba podem enfrentar atraso no início das precipitações, estiagens e temperaturas acima da média. O impacto varia conforme a intensidade do evento e a localização da propriedade.

Na prática, o produtor pode enfrentar dificuldade para estabelecer a safra, maior pressão sobre a irrigação e redução do potencial produtivo. Soja, milho, feijão, café e pastagens estão entre as atividades expostas. No Sul, o risco pode ser inverso, com excesso de chuva, erosão, doenças e problemas na colheita.

Dados e contexto

  • 13,3 mil: mortes adicionais por calor projetadas para o Brasil entre setembro de 2026 e fevereiro de 2027.
  • Quinto: posição estimada do Brasil entre os países mais afetados pelo evento.
  • 451 mil: mortes adicionais projetadas globalmente no período analisado.
  • Até 30%: queda de produtividade apontada em estudos para algumas culturas e regiões brasileiras sob condições adversas de chuva.
A Embrapa lista como principais riscos para o ciclo 2026/2027 o atraso ou a irregularidade da estação chuvosa, déficit hídrico prolongado, ondas de calor, chuvas acima da média e tempestades severas. A Conab, o Instituto Nacional de Meteorologia e os órgãos estaduais de assistência técnica devem acompanhar a evolução dos mapas climáticos e dos calendários de plantio.

O efeito econômico não é uniforme. Estados do Sul podem ter perdas por excesso de precipitação, enquanto partes do Centro-Oeste, Nordeste e Matopiba ficam mais expostas à falta de água. A escolha da janela de semeadura e o manejo do solo serão decisivos para reduzir a vulnerabilidade.

O que observar daqui pra frente

Produtores devem acompanhar previsões oficiais, revisar o calendário de plantio e priorizar cultivares adaptadas, cobertura do solo e conservação de água. Também será necessário monitorar a capacidade de armazenagem, os custos de irrigação e o risco de doenças. A confirmação da intensidade do El Niño poderá alterar preços, produtividade e fluxo de oferta das principais commodities.

Fontes

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