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Tarifa dos EUA sobre tilápia pode segurar preço do peixe no Brasil

Tarifa de 25% dos EUA sobre tilápia brasileira tende a reduzir exportações e aumentar oferta interna, o que pode conter ou até derrubar preços no mercado doméstico.

03 de junho de 2026 4 min de leitura
Tarifa dos EUA sobre tilápia pode segurar preço do peixe no Brasil

A proposta dos Estados Unidos de aplicar tarifa de 25% sobre produtos brasileiros inclui a tilápia e tende a reduzir a competitividade do peixe no mercado americano. Com menor saída para o exterior, a oferta deve aumentar no mercado interno, o que pode segurar ou até derrubar o preço pago pelo consumidor brasileiro.

O que aconteceu

O Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) propôs uma tarifa de 25% sobre uma série de mercadorias brasileiras, como resposta a práticas consideradas "irrazoáveis" na política comercial do Brasil.[1] A tilápia ficou fora da lista de exceções, ou seja, será atingida integralmente pela alíquota extra.[1]

A medida ainda está em consulta pública e pode entrar em vigor em 15 de julho, se confirmada.[1] A tarifa será paga pelas empresas americanas que importam tilápia brasileira, encarecendo o produto na ponta e reduzindo o interesse dos compradores dos EUA.

Na prática, a piscicultura brasileira já viveu movimento semelhante com o tarifaço de 50% em 2025, que derrubou exportações e obrigou o setor a redirecionar parte da produção ao mercado interno.[2][4][5]

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Por que importa para o agro

A tilápia é o carro-chefe da piscicultura de cultivo no Brasil e tem nos EUA seu principal destino externo, respondendo por cerca de 90% a 95% das exportações de pescado de cultivo.[3][4][5] Quando esse canal é travado por tarifas altas, a produção que iria para fora precisa ser absorvida pelo mercado doméstico.

Esse desvio de oferta tende a pressionar o preço para baixo na fazenda, reduzindo a margem dos produtores, especialmente os integrados e aqueles com estrutura voltada a exportações. Ao mesmo tempo, pode estimular consumo interno, já que o peixe fica mais competitivo frente a carnes bovina, suína e de frango.

Dados e contexto

  • Em 2025, uma tarifa de 50% dos EUA sobre produtos brasileiros levou à forte retração nas exportações de tilápia, com queda de 28% na receita da piscicultura no 3º trimestre.[5]
  • As vendas de tilápia para os EUA, que respondiam por cerca de 99% do pescado brasileiro exportado ao país, caíram 32% no 3º tri de 2025 ante 2024.[5]
  • A receita com exportações de pescado caiu de US$ 16,2 milhões no 1º trimestre para US$ 11,5 milhões no 3º trimestre de 2025.[5]
  • Em alguns estados, como Mato Grosso do Sul, a tarifa de 50% chegou a inviabilizar exportações, obrigando o retorno de contêineres e a realocação da produção ao mercado interno.[9]
  • No mesmo período, o Brasil passou a enfrentar concorrência de filé de tilápia importado do Vietnã, com preço FOB em torno de R$ 16,70/kg, praticamente metade do valor do filé nacional, perto de R$ 31/kg no atacado.[5]
Embora a tarifa agora proposta seja de 25%, e não 50%, a lógica é semelhante: o produto brasileiro perde competitividade, embarques tendem a cair, e a oferta volta para o mercado interno. Essa dinâmica pode baixar preços ao consumidor, mas pressiona toda a cadeia da tilapicultura.

O que observar daqui pra frente

Produtores, cooperativas e indústrias precisam acompanhar três pontos: a confirmação ou não da tarifa de 25%; o ritmo de queda das exportações caso a medida entre em vigor; e a capacidade do mercado interno de absorver o volume extra sem derrubar demais o preço na origem. Também entram no radar a concorrência de tilápia importada de países asiáticos e a busca por novos destinos externos, o que pode redefinir margens, uso de estruturas de processamento e planejamento de produção nos próximos ciclos.

Fontes

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